Dilma Rousseff pode ser a primeira Presidente do Brasil
Únicas - Ordem do dia
17-06-2010
A candidata
O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou, numa convenção nacional que contou com a participação do presidente Lula da Silva, a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência do Brasil. Vestida de vermelho, a cor do PT, Dilma Rousseff disse esperar ser a primeira mulher presidente do Brasil, «uma mulher que vai continuar o Governo de Lula». Será, afirmou, «um Brasil de Lula com alma e coração de mulher».
Mas quem é esta mulher que de guerrilheira na década de 1970 a participante da administração pública em diferentes governos, se tornou numa figura pragmática, de importância central no governo Lula, de quem é candidata à sucessão nas eleições de 2010?
Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de Dezembro de 1947, em Uberaba, no Estado de Minas Gerais. Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, faz o ensino pré-escola após o que ingressou num dos colégios mais tradicionais do Brasil, o Sion, de influência católica.
Só aos 16 anos conheceu a escola pública, começando, então a militar como simpatizante na Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop, organização de esquerda contrária à linha do PCB (Partido Comunista Brasileiro).
Em 1967, já no curso de Ciências Económicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Dilma passou a militar no Colina (Comando de Libertação Nacional), organização que defendia a luta armada. Era um tempo em que, no Brasil, saltar de grupos políticos era comum nos movimentos de esquerda que actuavam durante o período da ditadura.
Em 1969, já na clandestinidade, Dilma e usando vários nomes de código para fugir à repressão, foi acusada de participar no roubo ao «cofre do Adhemar», no Rio de Janeiro, acção que, todavia, sempre refutou, mesmo no que concerne ao planear do assalto.
Depois de muitas vicissitudes, foi presa em 16 de Janeiro de 1970, em São Paulo, ficando detida na Oban (Operação Bandeirantes), onde foi torturada. Condenada em três Estados, em 1973 conseguiu a liberdade devido a uma redução de pena no Supremo Tribunal Militar.
Em 1979 filiou-se no Partido Democrático Brasileiro (PDT), fundado por Leonel Brizola em 1979, depois do governo militar conceder uma amnistia política aos envolvidos no combate à ditadura.
Dilma Rousseff foi secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre (1986-89), presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (1991-93) e secretária de Estado de Energia, Minas e Comunicações em dois governos: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT).
Militante do PT desde 2001, coordenou a equipa de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando Henrique Cardoso e o primeiro de Lula da Silva.
Ministra das Minas e Energia entre 2003 e Junho de 2005, ocupou o cargo de Ministra-Chefe da Casa Civil desde a demissão de José Dirceu de Oliveira e Silva, em 16 de Junho de 2005, acusado de corrupção.
Em 2008, a Casa Civil foi envolvida em duas denúncias envolvendo Dilma Rousseff que negou todas as acusações.
Em 9 de Agosto de 2009, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, disse à Folha de S. Paulo que Dilma lhe teria pedido que uma investigação realizada em empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente. Dilma negou e Lina reafirmou a acusação, mas não apresentou provas.
Um retrato sumário da mulher que quer ser a primeira Presidente do Brasil e substituir Lula da Silva que, cumpridos já dois mandatos, não se pode recandidatar.
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