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Dezenas de psicólogos no desemprego
Deveres e Direitos - Trabalho
27-07-2010


Doentes perdem
Doentes perdem

O bastonário da Ordem dos Psicólogos (OP), Telmo Baptista, denunciou que «várias dezenas» de profissionais portugueses correm o risco de ficar desempregados no final do mês e acusou o Ministério da Saúde de se mostrar «totalmente indisponível» para reunir, apesar das «constantes insistências».

Aquele responsável, em declarações à agência Lusa, afirmou estar «seriamente preocupado» com o que está a acontecer com os psicólogos do Hospital Júlio de Matos, mas alertou que esta é uma situação mais abrangente, que afecta mais do que aqueles 23 profissionais.

«Temos várias dezenas de psicólogos nesta situação, juntando as duas situações, tanto do Hospital Júlio de Matos como os psicólogos dos centros de saúde», adiantou o bastonário da OP.

O problema foi dado a conhecer pelos psicólogos do Hospital Júlio de Matos (Lisboa) a 13 de Julho, quando denunciaram que a instituição de saúde vai perder mais de metade daqueles profissionais no fim do mês, já que não se podem candidatar a um futuro concurso da tutela que exige um estágio profissional, inexistente desde 2001.

«Queríamos muito ter uma audiência com a senhora ministra da saúde, mas está a ser a coisa mais difícil de fazer que temos enfrentado», frisou Telmo Batista, adiantando que há «muita coisa para falar» com Ana Jorge, mas da parte da tutela não vem um esclarecimento quanto a uma possível solução.

«Nós não temos a certeza do que está a acontecer e as informações que temos é de haver reduções sérias dos contratos desses profissionais, o que vai afectar a prestação de cuidados às populações», disse ainda.

Em declarações aos jornalistas, a 14 de Julho, a ministra da Saúde garantiu estar a trabalhar com as administrações dos hospitais na solução para o problema que afecta os psicólogos do Júlio de Matos, bem como outros técnicos de saúde, mas para Telmo Batista essa garantia não é suficiente, já que «estranha» o silêncio «que em nada contribui para as boas relações e para a solução dos problemas».

«No actual momento em que vive o País, em que se acentuam as questões de carácter social, momentos que também têm impacto do ponto de vista psicológico, estar a diminuir os recursos que as pessoas podem ter ao seu dispor, parece-me algo inaceitável», concluiu o bastonário.


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