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Morreu o actor António Feio
Artes e Sabores - Teatro
30-07-2010


Um lutador sempre
Um lutador sempre
Profundamente apaixonado pela vida e pelo teatro, um lutador contra o cancro de pâncreas que o minava, o actor e encenador António Feio morreu esta noite, aos 55 anos, na unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, em Lisboa, onde estava internado. A produtora UAU, em comunicado, anunciou o óbito e remeteu para mais tarde informações sobre as cerimónias fúnebres.

António Feio era natural de Moçambique, começou a sua carreira aos 11 anos, no Teatro Experimental de Cascais, depois de o seu director, Carlos Avilez, o ter convidado para fazer a peça O Mar, de Miguel Torga, que estreou a 6 de Maio de 1966 e em que fazia o papel do filho de um pescador.

Além do Teatro Experimental de Cascais, onde esteve alguns anos, António Feio actuou no Teatro Aquarius, que fundou, na Cooperativa de Comediantes Rafael de Oliveira, no Teatro Popular-Companhia Nacional I, no Teatro S. Luiz, no Teatro Adoque, no Teatro ABC, na Casa da Comédia, no Centro de Arte Moderna, no Teatro Aberto, no Teatro Variedades, no Teatro Nacional D. Maria II e no Teatro Villaret, entre outros.

O que diz Molero e Conversa da Treta foram duas das suas encenações mais emblemáticas, esta última ao lado do amigo José Pedro Gomes.

António Feio fez ainda televisão, rádio, publicidade e cinema, tendo ficado conhecido pela dupla cómica que formava com o actor e amigo José Pedro Gomes.

A 27 de Março, o comediante recebeu do Presidente da República, Cavaco Silva, o grau honorífico de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em entrevista à Antena 1, um mês antes, António Feio frisou que continuar a encenar lhe dava força para enfrentar a doença. «É o que eu gosto de fazer, não sei fazer mais nada», acentuou.

A página do Facebook de António Feio está já inundada de mensagens de pesar e homenagens ao actor.

«O teatro português perde um dos seus actores mais versáteis e também um encenador muito experiente e inspirado e com um talento especialíssimo para a comédia. Uma comédia moderna, ágil, de costumes, muito virada também para o nonsense (disparate), para o jogo com a linguagem do quotidiano, coisa que aconteceu muito com a Conversa da Treta, afirmou José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.

Em declarações à Lusa, o também escritor elogiou a «imagem muito popular» que António Feio tinha entre os jovens. «Ajudou muitos a irem ao teatro, isso torna esta perda ainda mais pesada», frisou.

Virão, agora, as últimas palmas para um actor que deixa um lugar impossível de preencher, pela força que imprimiu à sua vida e à sua actividade profissional.


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