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Investigadora portuguesa premiada
Únicas - Grandes mulheres
16-11-2015


Premiar investigação sobre doenças neuro-degenerativas
Premiar investigação sobre doenças neuro-degenerativas
A investigadora portuguesa Rita Guerreiro, da University College of London (UCL), foi reconhecida com o prémio Fondazione Gino Galletti Neuroscience Prize 2015 pelo seu trabalho sobre doenças neuro-degenerativas.

O prémio, segundo a instituição italiana, foi atribuído pelo seu trabalho sobre as mutações do gene TREM2 e a relação com o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.

O trabalho já tinha sido distinguido, em Janeiro, com o Prémio Europeu do Jovem Investigador, atribuído pela Associação francesa para a Investigação sobre Alzheimer. Ainda neste ano, Rita Guerreiro venceu o prémio da Sociedade britânica de Investigação de Alzheimer e Demência na categoria de Realização Académica.

O geneticista John Hardy, o mais importante especialista britânico da doença de Alzheimer e também investigador na UCL, considerou a portuguesa «uma estrela em ascensão» na investigação da neurociência. «Ela encontrou o primeiro gene de Alzheimer em 15 anos e isso é uma descoberta revolucionária no meio», acentuou.

A cientista disse à agência Lusa que estes prémios são importantes em termos de «prestígio» e contribuem para a evolução do estatuto profissional, actualmente em vias de passar de investigadora financiada pela Alzheimer Society ao quadro de pessoal da UCL.

Natural de Estremoz, Rita Guerreiro, de 35 anos, vive e trabalha no Reino Unido desde 2010, depois de realizar o doutoramento nos EUA, sempre acompanhada pelo também português e marido José Brás, com quem partilha a direcção do laboratório.

O prémio no valor de 10.000 euros atribuído pela fundação italiana é pessoal e não precisa de ser aplicado em investigação, mas Rita Guerreiro confessou que este tipo de financiamento pode ser útil a «projectos pessoais» paralelos ao seu trabalho.

Recentemente, como contou, foi contactada por uma família portuguesa que procurava diagnosticar a doença da filha, mas que estava com dificuldades em fazê-lo pelo sistema nacional de saúde português.

«Aceitámos analisar o ADN e em três meses conseguimos fazer um diagnóstico e descobrimos que ela sofre de uma doença descoberta apenas em 2013, o Síndrome Schaaf-Yang/MAGEL 2, que afecta umas 19 crianças em todo o mundo», acrescentou.

«Já recebemos pedidos de outras famílias, mas não podemos responder sempre porque às vezes não temos os meios técnicos para o fazer», justificou, para lamentar que as famílias de crianças portuguesas com doenças raras tenham de pagar cinco a seis mil euros a um laboratório privado para obter um diagnóstico ou tenham de depender de estudos científicos feitos no estrangeiro.




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