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Mau-olhado ou ensaio clínico
Escrivanha -
17-01-2016


Cuidados de Saúde
Cuidados de Saúde
Por Antunes Ferreira

Mau-olhado diria a minha avó materna Maria da Assunção Prata Antunes, natural da aldeia da Ponte na Beira Baixa. Era dada ao exoterismo sem saber o que era e como era. E acreditava em bruxas, o que originava uns sorrisos de comiseração do meu avô Braz Antunes, o senhor tenente da Guarda Fiscal que ia ao pálio nas procissões. E que tinha uns bigodes encerados apontando para cima. Pequeninha e enrugada assim sempre me lembro dela e em momentos menos felizes ou mais complicados recordo o responso de Santo António para encontrar coisas perdidas ou a novena ao santo Padre Cruz para curar todas as maleitas – e sem mezinhas, apenas com rezas e devoção.

Este intróito vem a propósito (virá?) do malfadado caso do ensaio clinico do medicamento que causou cinco ou seis doentes graves, com um em morte cerebral. Tratava-se do ensaio clínico com voluntários de uma nova molécula os quais já decorriam desde Junho do ano passado e participado 108 pessoas, todas em regime de voluntariato. Nunca tinha havido notificação de qualquer reacção adversa moderada ou grave. A molécula é produzida pela Bial a principal empresa farmacêutica de Portugal e uma das maiores da Europa.

Os testes decorriam em França, numa unidade de ensaios clínicos e os resultados funestos levaram a que, naturalmente, eles fossem suspensos. Os doentes que apresentaram sintomas graves estavam e estão sob observação no Hospital Universitário de Rennes, «em vigilância permanente». A própria Bial, que distribuiu um comunicado sobre o gravíssimo assunto, informou que um dos voluntários internados está no serviço de reanimação em estado de morte cerebral. A empresa farmacêutica portuguesa vincou que o ensaio foi aprovado pelas autoridades francesas, bem como pela comissão de ética em França, e está de acordo com a legislação que enquadra os ensaios clínicos.

A Bial assegurou que está «fortemente empenhada em assegurar, em primeiro lugar, o bem-estar de todos os participantes neste ensaio, bem como em apurar de forma rigorosa e exaustiva as causas que estarão na origem desta situação». A ministra francesa da Saúde, Marisol Touraine, adiantou, na sexta-feira, que já foram abertos dois inquéritos para apurar o que terá sucedido. Paralelamente Adalberto Campos Fernandes, o ministro da Saúde português disse estar a acompanhar «com preocupação» o caso do ensaio clínico do medicamento que causou a hospitalização de seis pessoas, em França, mas manifestou confiança na empresa Bial.

Até ao momento em que escrevo esta crónica nada mais se avançou na questão, Sabe-se que os temas que abordam questões da saúde são morosos, mas têm de ser assim; ela é o maior bem que os homens têm e costuma-se dizer que só se sabe o valor da saúde quando ela se perde. Mas o facto gritante é o envolvimento de uma empresa farmacêutica portuguesa que num dos campos a que se dedica corre o risco de vir a ser desacreditada contra a opinião que sobre ela havia.

Portugal, de há uns anos para cá, tem sofrido tratos de polé por esta ou aquela razão, nos domínios das finanças, da economia ou da política. São os défices excessivos, são os PIB, são as PPP, são swaps, são eleições diversas, são coligações impensáveis, são corrupções inacreditáveis, é tudo isso a que leva que «os de fora» nos olhem de cenho franzido. Isto não quer que estes aspectos negativos e muitas vezes criminosos não existam noutros países. Mas é conhecida a fábula do leão moribundo criada por Esopo.

É nos momentos mais difíceis que é muito mais fácil atirar pedradas. A chamada União Europeia (melhor será desunião), o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu uniram-se na troika que não interessa a ninguém – a não ser ao triunvirato que a formou. Já não nos bastava a crise e odienta austeridade, e vem agora o ensaio clínico de um produto português. Os desastres avolumam-se, investiga-se, criam-se comissões da mais diversa índole e no fundo uma catrefada de mons parturiens. Culpados – nicles.

Começo a pensar que a minha avó Maria da Assunção Prata Antunes, quando falava em mau-olhado era capaz de ter alguma razão. E não sabia ela o estado em que anos depois estaria o país, sobretudo após a famigerada coligação que governou (?) Portugal nos últimos quatro anos, bem como o cúmplice dela que é conhecido por suposto PR. Nada tinha de pitonisa, nem habitava em Delfos, tinha a sua casa na Rua de Infantaria 1 em Portalegre.




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