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Margão empolgante
Escrivanha - Na primeira pessoa
14-02-2016


Uma das mais antigas cidades do estado
Uma das mais antigas cidades do estado
Por Antunes Ferreira, em Goa

Um destes dias fui a Margão considerada a segunda cidade do estado de Goa. É mais populosa do que Panjim, mas nunca teve aspirações a ser capital. Recordo o que aprendi em 1980 em que vim à terra que me enfeitiçou, pela segunda vez, já que a primeira goesa que também o fez é a minha mulher Raquel. Tenho falado tanto dela (dela, da minha cara-metade). Margão é interessante e de certa forma empolgante.

Situa-se nas margens do rio Sal e goza do privilégio de ser uma das mais antigas cidades do estado. A construção civil é uma bomba um tanto descontrolada, o que origina que ela tenha o índice de maior crescimento. Quando chega um cidadão anónimo - o que é o meu caso - depara-se com uma entrada da cidade pejada de casas coloniais dos tempos dos Portugueses, algumas a caminho do final, remendadas, sem quaisquer modificações ou melhoramentos em risco que queda no nada.

Tem, ainda mansões famosas, que mais parecem palácios, infelizmente muitas em estado de degradação. É muito caro mantê-las como é evidente; dez/onze divisões, cozinhas (duas ou três) sanitário, muitas delas com capelas próprias. Não há rupias nem paciência que motivem os seus donos. Há ainda os que emigraram em busca de melhor vida e os que fizeram das terras onde vivem as suas «próprias» terras...

No seu centro está plantado o jardim Ali Khan uma oferta do chefe dos ismaelitas. À roda há uma colmeia que percorre as lojas mais diversas recheadas de todas as mercadorias. Logo me lembro que também em 80 me disse uma prima direita (há as «tortas», ou seja em segundo, terceiro e quarto grau e não sei se mais. Talvez de marcha-atrás...).

Trazia-me aqui a vontade de ver pela primeira vez o crematório hindu e muçulmano, curiosamente situados na chamada rua das saudades... E vi-os, sem tirar fotografias por dois motivos, a saber: porque sou uma abécula ao tentar manejar o smartphone que só me serve falar com outra gente, no resto nada. A segunda foi porque o meu condutor/secretário Premanand (que a passar destes momentos é também meu filho...) me avisou para o não fazer senão caíamos o Carmo e a Trindade. Óbvio que ele não usou a expressão, mas mais vale estar prevenido.

Ainda fui ver como estava o mercado Afonso de Albuquerque que continua a ser assim denominado. Estava como sempre, pejado de gente católica e hindu, pois os muçulmanos em Margão são minoritários, ainda que não se fale no Daesh... À minha espera em frente de um edifício que já conhecia bem, a câmara municipal, estava o senhor Rosário que nem sabia se era primo de alguém, mas tinha de sê-lo naturalmente.

O senhor Manuel do Rosário de Fátima, que já estivera em minha casa na capital do «Império» e comer um almoço de... cozido à portuguesa, levou-me ao café Longuinhos que em tempos fora um dos ex-libris de Margão e que eu conhecera em 1980. Modificações no estabelecimento? Está muito pior com um ar de capela mas sem a cruz. O tempo não se compadece com relíquias.

Voltamos a Panjim, mais precisamente a Miraramar. E, uma vez mais o trânsito na cidade eminentemente comercial é um cataclismo. Sempre a vi assim e não era hora de ponta. Olhem lá: e não era.




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