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Estudo recomenda incentivos à aquisição de veículos eléctricos
Planeta - Ordem do dia
14-03-2016


Incentivar a compra
Incentivar a compra
Um estudo da Plataforma para o Crescimento Sustentável recomenda a adopção de incentivos à aquisição de veículos eléctricos e à instalação de postos de carregamento, admitindo que, em 2025, apenas 1 por cento dos veículos em Portugal sejam eléctricos.

Criada em 2011, a Plataforma para o Crescimento Sustentável é uma associação sem fins lucrativos, que se assume como «um instrumento de reflexão e intervenção cívicas na área das políticas públicas para o desenvolvimento sustentável».

«Com o enorme investimento que os fabricantes têm realizado nesta tecnologia e considerando as reduções de custos observadas recentemente, é quase incontestável que a Mobilidade Eléctrica se tornará uma realidade ao longo da próxima década, mas sem que se preveja uma escala suficiente para a designar de fenómeno massificado», adianta o estudo. O documento, elaborado por Cristóvão Byrne e Paulo Pedro, foi apresentado em Angra do Heroísmo, nos Açores, no âmbito da conferência «O desafio energético da mobilidade eléctrica».

Em Portugal, a taxa de renovação de veículos é de 5 por cento e os veículos híbridos demoraram cerca de uma década a atingir 3 por cento da quota de vendas nos Estados Unidos da América, pelo que a Plataforma para o Crescimento Sustentável estima que em 2025 existam apenas 50 mil carros eléctricos em Portugal. O estudo recomenda que as autarquias portuguesas criem «incentivos não-financeiros» para os condutores de veículos eléctricos, à semelhança do que já acontece noutros países da Europa, como facilidades de estacionamento, de carregamento ou de circulação (vias reservadas).

Como complemento, as autarquias devem, segundo Cristóvão Byrne e Paulo Pedro, «ser pioneiras na conversão da sua frota para veículos eléctricos, fomentando a aceitação por parte dos consumidores».

Por outro lado, o estudo detecta que o carregamento dos veículos em locais públicos ainda é pouco atractivo, por isso defende um incentivo ao investimento em postos de carregamento, através da simplificação do modelo actual. Os locais privados de acesso público (como restaurantes com parque de estacionamento ou centros comerciais) são actualmente obrigados a integrar a Rede de Mobilidade Eléctrica, o que aumenta a complexidade da instalação e os custos de operação de pontos de carregamento, segundo o documento.

O actual modelo obriga ainda os clientes a serem titulares de um contrato com um Comercializador de Electricidade para Mobilidade Eléctrica, não permitindo que os operadores façam, por exemplo, promoções pontuais para atrair mais carregamentos.

O documento recomenda que Portugal siga o exemplo de outros países da Europa e fomente o desenvolvimento de postos de carregamentos rápidos ao longo de corredores rodoviários específicos, que até poderão ser financiados por fundos comunitários. Outra das propostas da plataforma é a criação de incentivos fiscais para as empresas que facilitem o acesso a redes de carregamento aos seus colaboradores.

Apesar de reconhecer que já existem em Portugal indústrias de relevo com crescente penetração nesta área, o estudo recomenda uma aposta na investigação, com recurso a fundos comunitários e o estabelecimento de colaborações entre as universidades e a indústria.

De acordo com a plataforma, ainda há muito desconhecimento em Portugal sobre a mobilidade eléctrica e pouca aceitação dos consumidores, sobretudo porque existe uma percepção de que o custo inicial do veículo é "elevado". No entanto, o estudo salienta que os preços têm vindo a baixar, prevendo que a redução dos custos das baterias torne os veículos eléctricos competitivos «a partir de 2020, sem necessidade de subsidiação ou isenções fiscais».

A plataforma estima, ainda, que a utilização de carros eléctricos em comparação com carros a combustível se traduza numa poupança de 60 a 70 por cento no preço da sua utilização por quilómetro, acrescentando que o custo de manutenção também tem tendência para ser mais baixo.




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