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Voz dos fadistas tem características próprias
Artes e Sabores - Ordem do Dia
19-03-2016


Vozes de Fado
Vozes de Fado
Um estudo científico da Universidade de Aveiro comprovou que «cantar fado não é para qualquer um», já que os fadistas, homens e mulheres, têm vozes peculiares.

O estudo, desenvolvido por um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), analisou as vozes de 104 fadistas, 47 homens e 57 mulheres, 14 profissionais e 90 amadores.

«Os resultados revelaram que as vozes dos fadistas masculinos e femininos são acusticamente diferentes nas medidas de frequência fundamental e de perturbação. Estas medidas juntamente com o vibrato foram semelhantes para amadores e profissionais e para as várias idades. Por fim, o formante do cantor [projecção vocal] está raramente presente», explicou Ana Mendes, investigadora do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA) e docente em Setúbal.

Para traçar o perfil áudio percetual das vozes, a equipa de investigação criou a Escala de Apreciação de Voz Cantada (EAVOZC), com o objetivo de quantificar e qualificar com rigor parâmetros vocais como, por exemplo, a altura tonal, o timbre ou o brilho.

Os resultados revelaram que as vozes dos fadistas masculinos e femininos são diferentes na altura tonal, na afinação e na rouquidão. Por seu lado, os fadistas profissionais apresentam maior afinação, emoção e precisão articulatória, assim como menor tensão que os amadores. A voz do fadista masculino é caracterizada por timbre escuro enquanto a do fadista feminino apresenta timbre claro e brilho.

A caracterização das vozes pelos cientistas, que descortinou as vozes tipicamente graves e roucas e com vibrato mais fraco do que a dos cantores líricos, permite agora que os artistas tenham um apoio clínico, pedagógico e artístico à medida das suas necessidades.

«Dada a visibilidade e as exigências artísticas nacionais e internacionais dos fadistas, tornou-se pertinente estudar esta voz, de forma a proporcionar-lhes apoio clínico, pedagógico e artístico com evidência científica», adiantou Ana Mendes, que coordenou o estudo.

A investigadora salientou que «ao contrário dos cantores líricos, que possuem formação superior, os fadistas têm apenas o que chamam a escola da vida e o acompanhamento clínico preventivo é raro, o que pode dar origem a patologias difíceis de tratar».

O projecto, que recebeu o nome de «Vocologia do fado - Desenvolvimento da educação, saúde e performance dos cantores, professores de canto e clínicos da voz do fado», decorreu durante os últimos dois anos e contou com a colaboração das investigadoras Inês Vaz e Soraia Ibrahim.




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