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Investigadores identificam mecanismo de comunicação entre neurónios
Saúde e Bem-Estar - Terapias
29-03-2016


Maria Joana e Ramiro Almeida, da UC
Maria Joana e Ramiro Almeida, da UC
Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) desvendou que a «ubiquitina» organiza as proteínas que permitem aos neurónios trocar informação entre si.

O estudo publicado na revista científica Journal Of Cell Biology contraria a ideia geral de que a «ubiquitina» é apenas uma proteína que promove a destruição de proteínas danificadas ou com erros. Neste trabalho os autores descobriram que a «ubiquitina» atrai todos os recursos necessários à formação de novas sinapses, sendo essencial para a comunicação neuronal.

Maria Joana, primeira autora do artigo, sublinhou que «algumas proteínas que se acumulam nos neurónios têm uma pequena ‘cauda’ feita de várias ubiquitinas ‘atreladas’. Neste trabalho descobrimos que a acumulação destas proteínas contribui para a comunicação neuronal porque as suas ‘caudas’ de ubiquitinas funcionam como um ‘íman’, os quais atraem e organizam correctamente os recursos dessa comunicação.»

Por seu lado, Ramiro Almeida, líder da equipa, explicou que «decidimos arriscar uma abordagem pouco convencional e investigar o processo pelo qual a maquinaria de destruição das células contribui para o desenvolvimento do sistema nervoso. Surpreendentemente, à luz do conhecimento actual, observámos um aumento extraordinário do número de sinapses nos neurónios de ratos in vitro, em contexto de experimentação laboratorial.»

O resultado obtido sugere que a «ubiquitina», «além da sua tarefa de degradação, tem um outro papel ‘construtivo’ que explica o aumento de sinapses obtido», acrescentou o investigador.

As conclusões desta investigação, desenvolvida ao longo de quatro anos, contribuem para a compreensão dos mecanismos de formação de sinapses, a estrutura responsável pela passagem de informação no sistema nervoso, e poderão auxiliar a comunidade científica a encontrar novas abordagens para os casos de autismo, esquizofrenia, atrofia muscular espinhal e principalmente síndrome de Angelman.



 
 
 
 
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