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Há uma nova estratégia contra a Obesidade e a Diabetes tipo 2
Saúde e Bem-Estar - Terapias
24-04-2016


Da esquerda para a direita - José Sereno, Miguel Castelo Branco, Raquel Seiça, Paulo Matafome, Tiago
Da esquerda para a direita - José Sereno, Miguel Castelo Branco, Raquel Seiça, Paulo Matafome, Tiago
Um estudo pioneiro desenvolvido ao longo de dois anos na Universidade de Coimbra (UC) permitiu estabelecer as relações da irrigação do tecido adiposo com a obesidade «não saudável» e a diabetes tipo 2. O trabalho foi distinguido com o Prémio Nacional de Diabetologia, no valor de 20 mil euros, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

Pela primeira vez, uma equipa de investigadores, do Laboratório de Fisiologia, Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (IBILI) da Faculdade de Medicina e do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da UC (coordenados, respectivamente, pelos Professores Raquel Seiça e Miguel Castelo-Branco), avaliou in vivo (em rato) a eficácia da Ressonância Magnética no estudo dos efeitos da glicação na irrigação e na expansão do tecido adiposo e suas consequências locais e sistémicas.

A formação de produtos de glicação avançada ocorre na diabetes mellitus, em relação com o aumento da glicose no sangue, mas também pode ser consequência da ingestão destes produtos, presentes nomeadamente na denominada «dieta de cafetaria» (alimentos processados, ricos em açucares e sujeitos a temperaturas elevadas como os fritos).

Sabendo que o tecido adiposo tem a capacidade de armazenar o excesso de energia ingerida, expandindo-se de forma quase ilimitada, e impedir a acumulação nociva de gordura noutros locais como o fígado, os investigadores quiseram perceber a relação entre a irrigação do tecido adiposo e a acumulação de produtos de glicação avançada, e o envolvimento deste processo no desenvolvimento da obesidade «não saudável», colocando a hipótese de os produtos glicados alterarem a microcirculação do tecido adiposo e a sua expansão adequada, comprometendo desta forma a sua função.

Foram estudados três grupos de ratos normais: ao primeiro grupo foi administrado um produto glicado, o segundo foi alimentado com dieta gorda (rica em triglicerídeos) e o terceiro grupo foi sujeito à combinação de ambos (produto glicado e dieta gorda). Observou-se que a acumulação de produtos glicados provoca diminuição da irrigação do tecido adiposo e a dieta gorda, isoladamente, induz expansão do tecido adiposo; mas é a associação da glicação e da dieta gorda que altera a função do tecido adiposo conduzindo a insulino-resistência local e sistémica.

A investigação mostrou que na expansão do tecido adiposo que ocorre na obesidade, mais do que a hipertrofia (aumento de volume) das células adiposas, anteriormente associada aos distúrbios da função deste tecido, são as alterações micro-vasculares e da irrigação do tecido adiposo, causadas pela glicação, que levam à perda da sua função com consequências locais e metabólicas sistémicas como aumento dos níveis sanguíneos de glicose e lípidos.

Ou seja, «a acumulação de produtos glicados poderá estar envolvida no desenvolvimento da obesidade ‘não saudável’, fortemente associada à pré-diabetes e à progressão para diabetes tipo 2», explicou a coordenadora do estudo, Raquel Seiça.

Os resultados desta investigação, nota a Catedrática da FMUC, «revelam ainda que a Ressonância Magnética pode ser uma técnica promissora na detecção e prevenção destas alterações, possibilitando ainda desenhar estratégias terapêuticas que melhorem a função micro-vascular do tecido adiposo e previnam a obesidade “não saudável” e as suas complicações como a diabetes tipo 2».




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