O difícil faz-se, ao impossível dá-se-lhe um jeito Google

Mourinho o Salvador
Escrivanha - Na primeira pessoa
29-05-2016


O técnico português
O técnico português
Por Antunes Ferreira

Como costumo fazer (quase) sempre, alinho à minha frente uma panóplia de temas que entendo que podem dar comentário. É um procedimento meu, que entendo ser válido e outros absolutamente não. A possibilidade de opção é para mim uma das componentes – talvez a mais importante… - da Liberdade e da Democracia, por isso entendo que os crimes de opinião foram e são um malogrado exemplo das ditaduras nelas incluindo naturalmente a salazarenta.

Este foi uma decisão que embora já conhecida por muita gente que não concorda comigo, é inteiramente minha. Como dizia um Senhor chamado Winston Churchill é melhor ter uma ideia, ainda que não seja muito boa, do que não ter nenhuma. Não sei se o estadista britânico tenha plagiado Monsieur Jacques de la Palice, mas aderi absolutamente à sua sentença proferida durante a II Guerra Mundial. Mas também no outro prato da balança nunca me esqueço da quadra que foi feita ao militar francês: Hélas, La Palice est mort,

Est mort devant Pavie.

Hélas, s'il n'était pas mort,

Il ferait encore envie.


Foi com esta chacota que começou a grassar a lapalissada…

Pois bem desse alinhamento constavam o debate parlamentar em que cada quinze dias o Governo vai a São Bento discutir o «estado da Nação», (uma herança de Sócrates); o homem que matou em Montemor-o-Velho a tiros de caçadeira a mãe e os avós e se suicidou; a homenagem de Obama à hecatombe atómica em Hiroxima; as possíveis sanções de Bruxelas a Portugal; a saga dos colégios privados; a greve dos estivadores, enfim a estória do vai e vem do petróleo e mais uns quantos que seria despiciente apontar.

Rejeitei-os todos, não porque não tivessem óbvia importância – decisão minha… Por favor ver acima o que escrevi sobre a capacidade decisória. De resto quem sou eu para ignorar essa enorme importância. Pronto, rejeitei-os. Porquê? Escolhi um assunto que pela dimensão de que se rodeou, pelas «cabeçalhos» da informação, por uma atenção mundial (estive quase a escrever universal): após um folhetim «dramático» José Mourinho assinou pelo Manchester United.

Este é um exemplo, acho, do poder da globalização, do ultra milionário negócio do futebol, da alienação dos cidadãos e do poder financeiro. Porque não haja dúvidas de que quem manda neste triste planeta azul é a finança. E os 15 milhões de euros anuais que o special one fazem com que os sujeitos normais se sintam invejosos à enésima potência. Mourinho vai salvar o Reino Unido (?) salvando Old Trafford das misérias de resultados que já custaram as cabeças doutros treinadores desde que se ausentou Sir Alex Ferguson.

As coisas são o que são, a vida é o que é. E as parangonas também; vão desaparecendo: é o share, é o que se vende e o público compra. Entre a Rússia e a Ucrânia continua uma guerra assassina, mas a notícia saiu de moda, ultrapassada pelos jihadistas ou pelos emigrantes, duas tragédias e duas impotências da nossa velha Europa. E seguir-se-ão outras questões comandadas pelo dinheiro…

Por isso escolhi Mourinho e pelo estúpido Mundo que o idolatra. Pensando bem: o estúpido sou eu.




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