O difícil faz-se, ao impossível dá-se-lhe um jeito Google

Violência infantil atinge mais as raparigas
Deveres e Direitos - Segurança
30-05-2009


Meninas vítimas de violência
Meninas vítimas de violência
A violência infantil em ambiente familiar é, proporcionalmente, mais frequente em famílias reconstruídas do que em famílias nucleares, o agressor tende a ser do sexo masculino e a forma de violência mais praticada é a violência sexual, com as vítimas do sexo feminino em maior número. Um estudo sobre a Evolução das Características da Violência infantil em Portugal, denominado «Cinderela: do conto de fadas à realidade. Perspectiva sobre os maus-tratos infantis», traduz esta realidade.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o trabalho revela que a violência atinge crianças de todas as idades e sexos, sendo mais frequente o abuso sexual em raparigas com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos.

Coordenado pelo investigador Paulo Gama Mota, o estudo visou uma abordagem da violência infantil testando modelos evolutivos para explicar algumas características dos maus-tratos infantis em Portugal.

Sendo a violência infantil um fenómeno social dramático, o investigador, que elaborou a pesquisa em co-autoria com as investigadoras Dora Simões e Eugénia Loureiro, salientou que «apesar das vertentes psicológicas, sociológicas e económicas conhecidas, o fenómeno é difícil de caracterizar. Uma abordagem evolutiva oferece um novo quadro conceptual que permite explicar algumas características dos maus-tratos infantis».

A amostra incluiu 100 crianças maltratadas, diagnosticadas no Instituto de Medicina Legal de Coimbra, nos anos de 2002 e 2003, com idades compreendidas entre os 0 e os 16 anos, oriundas da região centro do país.

Os investigadores tentaram obter dados junto de instituições oficiais, nomeadamente junto das Comissões de Protecção de Menores, que identificam, acompanham e encaminham estas situações, mas «a natureza confidencial dos processos e, em particular, a burocracia no acesso aos dados, incluindo as limitações de recursos humanos, impediram a obtenção de quaisquer dados junto dessas instituições», explicou Paulo Gama Mota. Outra condicionante na recolha, mas inerente aos processos, «resulta do facto de os registos não conterem, de uma forma geral, algumas das variáveis que se pretendiam utilizar no estudo», lamentou.

A investigação incidiu sobre quatro domínios a fim de contextualizar e caracterizar os maus-tratos: perfil do agressor (incluindo dados sócio biográficos) que permitisse perceber a presença de alguma relação de parentesco com a criança, se era portador de deficiência física ou mental e se consumia substâncias ilícitas; atendeu-se ainda ao perfil da criança e gravidade do mau-trato (tipo de mau-trato praticado e sua gravidade com base na classificação proposta por Canha (2003). Também o grupo doméstico em que se integra a criança foi avaliado.

Registou-se uma predominância de maus-tratos dirigidos a raparigas (67 por cento raparigas e 33 por cento rapazes). Os maus-tratos tenderam a verificar-se em todas as idades, embora tenham sido mais frequentes no grupo etário dos 10 aos 16 anos (62 por cento), seguindo-se o grupo dos 6 aos 9 anos (21por cento). Quanto à gravidade dos maus-tratos, o estudo revela que os mais frequentes foram de tipo 3 que englobam fracturas, queimaduras, abuso sexual, rejeição e abandono.

O estudo conclui ainda que «a explicação mais plausível para a maior ocorrência de maus-tratos sobre as crianças, em famílias reconstruídas, parece residir num efeito colateral relacionado com a ausência de laços de vinculação estabelecidos desde o nascimento que deveriam induzir a fenómenos de inibição da agressão relativamente à descendência».

«O que afirmamos é que há um risco acrescido de maus-tratos em famílias reconstruídas, possivelmente pela ausência de vinculação biológica de um dos adultos. Isso não quer dizer que não se possa desenvolver afecto nestas condições, mas apenas que o risco é maior de que não se desenvolva», referiu ainda o investigador.




Artigos relacionados
 
 
 
 
PUBLICIDADE



SIGA-NOS NO FACEBOOK!
MAIS LIDAS
PUBLICIDADE
PARCERIAS
Consulta Energética
VISITAS
Copyright © 2009-2017 SexoForte.net | Cúmplices | Estatuto | Contacto | Política de privacidade | Última actualização: 29-05-2016 06:12h