Por Maria Machado
Mini-saia de folhos e padrões quadriculados, vestidos cintados no peito, calças cigarette, meias às riscas por cima dos joelhos, casacos de cabedal e colares, ou brincos de grandes bolas com cores extravagantes são as novas velhas modas dos tempos que correm. Atenção senhoras dos anos 60, 70, 80 e 90: a vossa moda voltou!
Se já tinha saudades da moda dos anos 60, quando os jovens vestiam blusão de cabedal, tops curtos e jeans à boca-de-sino ou cigarette, se montavam em lambretas e harleys num gesto de rebeldia, para se parecerem com James Dean ou Marlon Brando, basta olhar para o seu lado esquerdo ou direito e reparar na moda que está nas ruas. Mas se também sente saudades dos irregulares anos 70 (que foram tudo menos calmos, verdade seja dita), ou dos exageros dos anos 80, ou ainda do grunge colorido dos 90, também é nas ruas do século XXI que os vai encontrar.
Mas afinal o que foi moda nesses anos? De onde veio o conceito de moda existente hoje em dia?
A moda deixou de ser algo único e passou a ter várias propostas e até mesmo auto-propostas, tornou-se algo muito ligado ao comportamento e ao meio em que se vive, passando pelos grupos sociais definidos pela música e/ou pela marca de roupa. A moda é não seguir a moda e este conceito (bastante actual) foi impulsionado pela actriz Audrey Hepburn e pela cantora Françoise Hardy ambas muito marcantes na década de 60.
Tudo começou nos Estados Unidos da América (EUA) com a saída da moda dos bares boémios nocturnos dos anos 50 para as ruas dos anos 60. Seguiu-se a Revolução da Juventude, a mini-saia e a grande mudança no estilismo. A rua passou a ser a principal inspiração!
Mary Quant, criadora da mini-saia juntamente com André Courrèges, diz: «A ideia não é minha, nem de Courrèges. Foi a rua que a inventou». Grandes estilistas tiveram de actualizar as suas peças de acordo com o que se usava nas ruas de Londres e Paris e foi isso que deu origem a estilos muito próprios como o psicadélico, o geométrico, o romântico e até alguns de temática de arte, como por exemplo quadros desenhados na roupa.
Após a revolução sexual e a luta pelos direitos das mulheres, os anos 70 trouxeram novas drogas e as suas experiências acabaram por promover uma mistura de formas e materiais, desde o algodão barato até à alta-costura. O único requisito: ser fora do normal.
Os jeans passaram a ser clássicos e uniformes e tornaram-se calças à boca-de-sino ou afuniladas, cheias de dobras e pregas. As clássicas calças de ganga, utilizadas pelos trabalhadores, tornaram-se roupa de passerelle. Foi o adeus ao peace and love hippie e o olá ao sex and violence da geração punk, com todo o metal, plástico e roupas gastas.
Outras transformações levaram a moda a ficar mais desportiva, as saias subiam e desciam indiscriminadamente e a roupa, cada vez mais, dava tanto para rapaz como para rapariga.
Os anos 80 foram um culminar que, de certa forma, os anos 90 vieram destruir. De facto, a década de 80 intensifica o que já se vira na moda em anos anteriores e o aparecimento da Disco veio dar mais brilho à mudança. As roupas ganharam mais glamour e adornos, sendo que os penteados tiveram uma grande influência nesta época. As cintas subidas desceram para cima do umbigo e começaram a aparecer os decotes.
Os anos 90 vieram tirar o glamour dos 80! Entrou o prático: jeans, botas e t-shirt lisa eram o que se usava no dia-a-dia. Tínhamos dois focos: jovens e adultos. Adultos usavam o já descrito, jovens usavam o mesmo, mas rasgado, negro, com correntes. Até os olhos eram delineados com lápis escuro. Era a revolta dos punks para o mais negro, moda que, curiosamente, apareceu nos anos 60, conhecida como metal, mas muito pouco popular.
Feita esta breve referência aos variados estilos entre os anos 60 e 90, pode-se concluir que as modas estão de volta. Tal como as calças de cinta subida foram desaparecendo com a passagem do século, agora voltaram a aparecer e em força! As mini-saias (perdidas nos anos 80 e 90) regressaram cada vez mais curtas e engraçadas, com folhos, todo o tipo de estampados, adereços… Tudo o que se possa imaginar!
Os casacos de malha, os chapéus extravagantes, as camisolas de manga curta e gola alta, assim como os penteados-despenteados regressaram, bem como os sapatos, as botas, os brilhantes, os colares e brincos grandes de mais, a maquilhagem exagerada e o glamour do vintage.
Tudo isso está de regresso e a moda é, afinal, uma reinvenção de outras modas passadas fazendo com que nada esteja fora de moda!






















