O balanço do primeiro semestre de 2009 sobre o crédito malparado, efectuado pelo Banco de Portugal, revela que famílias e empresas cada vez têm mais dificuldades em pagar o que devem aos bancos. Nos últimos dois anos, o peso do malparado nas famílias disparou 47 por cento e, no global, as famílias devem à banca mais de 3,5 mil milhões de euros, o que equivale a 2,61 por cento do total do crédito concedido, o valor mais alto desde Fevereiro de 1999.O volume total de empréstimos concedidos pela banca às famílias aumentou 1,32 por cento entre Junho de 2008 e o mesmo mês deste ano, enquanto o valor total do crédito considerado de cobrança duvidosa subiu 32 por cento, para um valor recorde superior a 3,5 mil milhões de euros, afirma o Banco de Portugal.
No que respeita à taxa de incumprimento (moroso em percentagem do crédito total) também aumentou de 1,99 por cento, em Junho de 2008, para 2,61 por cento no período homólogo deste ano.
Assim, os portugueses estão cada vez mais endividados e tanto as famílias como as empresas manifestam cada vez mais dificuldade em pagar as suas prestações, sobretudo os encargos com a habitação. O desemprego é, seguramente, uma das causas para grande parte do incumprimento. Mas a oferta – facilitada, insistente, indiscriminada – de algumas entidades bancárias também não será alheia à situação.
Depois das prestações da casa, vêm os bens de consumo e os cartões de crédito e, feitas as contas, no total, as famílias portuguesas devem à banca três mil e 500 milhões de euros.
Mas nas empresas a situação não é melhor já que o total de malparado ascende a quatro mil milhões de euros.
Segundo o Jornal de Negócios, os bancos estão a efectuar provisões para cobrir perdas com crédito incobráveis e no primeiro semestre de 2009 a almofada financeira para situações como esta aumentou para 132 por cento no BES, face ao período homólogo do ano passado.
No BCP aquele valor cresceu 35 por cento e no BPI subiu 12 por cento, o que leva os bancos a estarem mais atentos, o que significa começarem a restringir a concessão de crédito e a diminuírem drasticamente os empréstimos.
Nos primeiros seis meses deste ano houve menos 28 por cento de crédito do que no primeiro semestre de 2008 e os economistas acreditam que o cenário deverá manter-se uma vez que as taxas de juro estão baixas, mas não se vão manter sempre assim, pois tudo indica que a Euribor venha a subir mal se sintam os primeiros sinais de retoma.
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