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Crianças precisam de tempo para brincar

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Mais tempo livreA sociedade tem de devolver às crianças o tempo de que elas precisam para brincar. A afirmação é da investigadora Maria José Araújo, que lança hoje o livro «Crianças Ocupadas. Como algumas opções erradas estão a prejudicar os nossos filhos». Para a autora, as crianças entre os seis e os 12 anos «trabalham hoje para e na escola, no seu ofício de alunas, cerca de oito a nove horas diárias, ou seja, cerca de 40 a 45 horas semanais».

«A intenção deste livro é criar um debate público sobre a questão da ocupação das crianças e, de alguma maneira, alertar para os seus direitos», afirmou a Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto.

A desenvolver um trabalho de investigação sobre questões levantadas pelo conceito de «Escola a Tempo Inteiro e as Actividades de Enriquecimento Curricular», a autora considerou que as crianças ficam sem tempo para brincar, «pois estão muito ocupadas, têm muitos trabalhos e actividades para fazer todos os dias».

«Essas actividades podiam ser brincar, mas são sempre em função da escola», sublinhou, para acrescentar que «os pais têm uma preocupação muito excessiva em relação ao tempo escolar».

A investigadora frisou que escola a tempo inteiro é uma medida óptima, mas as crianças deviam fazer as actividades que elas pudessem escolher.

«A grande questão não é só a quantidade de actividades que fazem, mas o facto da metodologia prevalecente nessas actividades ser sempre orientadas pelos adultos e elas nunca poderem escolher. São aulas atrás das aulas», defendeu.

Por isso, Maria José Araújo entende ser necessário «repensar o modelo da escola» que «não pode continuar porque as crianças não aguentam».

No livro, a autora, que trabalha há 19 anos com crianças, tenta responder às seguintes perguntas: «Fará sentido que, na sociedade contemporânea, as crianças trabalhem mais do que as 40 horas que achamos razoáveis para os adultos? Fará sentido prolongar de tal modo as suas ocupações que não lhes deixamos tempo para brincar e descansar? Será que temos o direito de ocupar e condicionar o tempo livre das crianças depois de um dia de Escola?».

«A angústia dos pais para que as crianças trabalhem muito para ser alguém, como se as crianças não fossem já hoje alguém, pode comprometer tanto o seu presente como o seu futuro», declarou.

Maria José Araújo explicou ainda que este livro é, sobretudo, o «resultado de muitos anos de trabalho com crianças e adultos, de muita brincadeira com ambos e de muita preocupação colectiva sobre as consequências negativas que resultam do excesso de trabalho e de actividade organizada para os mais pequenos».

É, fundamentalmente, um alerta para a questão dos direitos das crianças. «Sobre as crianças aprendi mais com elas do que com os adultos ou com os livros», rematou.

O livro de Maria José Araújo, editado pela Prime Books, é lançado hoje, pelas 18 horas, na Livraria Salta Folhinhas, no Porto.

A apresentação da obra está a cargo de Agostinho Ribeiro, professor jubilado da Universidade do Porto, e por Dulce Guimarães, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Porto Oriente e da Associação de Ludotecas do Porto.

 
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