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Carnaval do Brasil envolto em polémica

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Participação de criança gera controvérsiaUma menina de sete anos foi escolhida para um lugar de destaque numa escola de samba do Rio de Janeiro, o que está a gerar grande polémica, já que este é um papel habitualmente confiado a actrizes e modelos que desfilam no sambódromo com fantasias ousadas. Um magistrado do Tribunal de Menores terá de decidir se a criança pode ou não desfilar.

A escola de samba Viradouro escolheu Júlia Lira, filha do presidente da escola, para rainha da bateria. Grupos de defesa das crianças dizem que o lugar é inapropriado para uma menor enquanto que a família afasta qualquer cenário de abuso, garantindo que a menor é capaz de suportar 80 minutos a dançar sob o calor escaldante do Rio e que irá desfilar com uma «fantasia bem infantil». A pequena, aliás, continua os ensaios para o desfile do domingo de Carnaval e posa para os fotógrafos.

«Eu jamais colocaria a minha filha com uma roupa erótica», afirmou Marcos Lira, presidente da Viradouro, que integra a elite das escolas de samba do Rio de Janeiro, ao jornal Globo.

Mas as autoridades não parecem convencidas. O director do Conselho de Defesa da Criança e do Adolescente, Carlos Nicodemos, disse à BBC que a escolha de Júlia vai contribuir para «aumentar o tratamento das crianças como objecto sexual na sociedade brasileira». Sublinhando não ser contra a participação de crianças no Carnaval, porque «isso faz parte da cultura brasileira», salvaguardou que «uma criança de sete anos não pode ser posta num papel tradicionalmente com grande conotação sexual».

Marcos Lira reagiu, referindo que a filha tem «a atitude de uma rainha da bateria» para o samba, garantindo que não autorizará nada de impróprio.

Nos próximos dias um magistrado do Tribunal de Menores do Rio deverá emitir a decisão, sendo que a escola já enviou os desenhos com a fantasia preparada para a criança. Se a sua participação se confirmar esta será a primeira vez, nos 25 anos do sambódromo, que uma criança encabeça um dos segmentos dos desfiles de Carnaval.

Júlia, que se estreou na Marquês de Sapucaí com cinco anos, já recebeu o apoio da actriz e modelo Juliana Paes, que durante vários anos foi rainha da bateria daquela escola de samba, a única do subúrbio de Niterói representada no grupo das grandes escolas do Rio, com desfiles marcados para domingo e segunda-feira de Carnaval.
 
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