Por Ana Glória Lucas
A cubana Juana Rodríguez acaba de festejar o seu 125º aniversário, o que fará dela, provavelmente, a mulher mais velha do mundo. Juana nasceu a 2 de Fevereiro de 1885, em Campechuela, na província de Granma, no leste da ilha, e foi a segunda numa família de 13 filhos.
Juana, que nunca saiu da sua terra natal, teve três filhos, dois dos quais faleceram jovens, e tem ainda seis netos, 15 bisnetos e quatro trinetos. A sua própria mãe faleceu já com 100 anos e o pai aos 96.
Há dois anos, já o seu aniversário fora objecto de notícia na imprensa cubana. Juana atribuiu então a sua longevidade ao «ar puro do campo», a uma «alimentação rica em carne e legumes» e ao «seu amor pelas outras pessoas». Nessa altura, lamentou a falta de visão e uma certa fragilidade física que a impedia de se manter em pé, ao mesmo tempo que recordou ter visto um aparelho de televisão pela primeira vez na sua vida depois da Revolução Cubana de 1959 e que a sua preferência ia para os noticiários.
Hoje, Juana Rodríguez vive assistida por um geriatra, um médico e uma enfermeira e considera-se «de boa saúde» para a idade que já tem, esperando vir ainda a celebrar muitos mais aniversários.
O Livro Guinness dos Recordes não inclui, no entanto, o nome de Juana como o da mulher mais velha do mundo. A última mulher reconhecida por este livro, que é já uma instituição, foi a americana Gertrude Baines, que faleceu entretanto em Setembro de 2009, aos 115 anos.
Antes desta, a «honra» coube por alguns meses à portuguesa Maria de Jesus, que nasceu a 10 de Setembro de 1893 e faleceu a 12 de Agosto de 2006, com 112 anos e 336 dias. Ao contrário de Juana Rodríguez, Maria de Jesus evitava comer carne, preferindo-lhe o peixe e os vegetais. Também nunca bebeu álcool ou café, nem nunca fumou e apenas uma vez na vida recorreu aos serviços de um hospital.
A longevidade dos cubanos é quase lendária. Numa população de 11,2 milhões de pessoas e com uma esperança de vida de 77 anos, o número de pessoas com mais de 100 anos varia entre 1.500 e 3.000, de acordo com diferentes fontes.
Em 2004, foi criado em Cuba o Clube dos 120 Anos, destinado não, como o nome faria supor, aos que já atingiram aquela idade, mas a todos aqueles que pretendem alcançar uma longevidade satisfatória. Aberto a membros de outros países, o clube conta já com milhares de inscritos de cerca de quatro dezenas de países.
O seu presidente é o Dr. Eugenio Selman, de 79 anos, médico pessoal de Fidel Castro, também já a caminho dos 84 anos. Selman acredita que qualquer pessoa pode chegar aos 120 anos, desde que esteja convencida de tal, «porque o cérebro é que comanda todas as acções do corpo e, se não for assim, não se consegue». A motivação, refere o médico, é uma fonte de bem-estar para o ser humano, permitindo manter a actividade mental e uma atitude de optimismo face à vida.
No entanto, há que ajudar com uma alimentação sã e equilibrada, os cuidados médicos necessários, um bom nível cultural, um meio ambiente adequado e exercício físico regular. Selman aponta o seu próprio exemplo: «Não paro, escrevo sobre medicina, ficção, danço, faço exercício, movo-me, não estou parado. A mentalidade é construída por nós próprios e a mentalidade deve ser a de viver satisfatoriamente», afirma.






















